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Posições cirúrgicas

Posições cirúrgicas: Guia completo para médicos e enfermeiros

23/10/2023

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As posições cirúrgicas têm por objetivo facilitar e expôr de forma mais adequada o campo cirúrgico, a fim de diminuir o tempo de uma intervenção e, ainda, diminuir os riscos para o paciente que a ela se submete

Introdução

As posições cirúrgicas foram adaptadas ao longo do tempo a fim de fazer com que as cirurgias se tornassem mais seguras para pacientes que a elas precisassem ser submetidos.

Escolher uma posição cirúrgica, no entanto, é uma decisão que cabe ao cirurgião que irá executar a cirurgia ou ao corpo clínico que a comandará, mas deve também ser analisada junto ao anestesiologista que acompanhará o procedimento.

Uma vez que é esse segundo profissional aquele responsável por acompanhar os sinais vitais do paciente, bem como o fluxo dos seus movimentos respiratórios e, ainda, pelo conforto do paciente.

Estando adequadamente confortável, o paciente pode ter uma recuperação mais rápida, menos dolorosa e, ainda, mais respeitosa.

Veja, a seguir, quais são os detalhes que devem ser levados em conta em cada uma das posições cirúrgicas já estabelecidas tradicionalmente pela medicina!

O que são posições cirúrgicas?

As posições cirúrgicas são posturas em que os pacientes devem ser dispostos para que um procedimento cirúrgico possa ser executado.

Ainda que pareça sempre muito simples deixar um paciente deitado, de costas para a maca, a depender do procedimento a ser realizado essa pode ser a pior posição possível para ele.

Como um paciente, uma vez anestesiado, não poderá intervir sobre a posição em que está, tampouco sobre o grau de conforto ou desconforto a que está submetido, a atenção do cirurgião, no momento de fazer uma intervenção, deve também ser destinada a essa observação.

Uma posição inadequada pode causar dores nas articulações e nos músculos que, obviamente, só serão sentidas pelo paciente ao fim de sua recuperação, que se inicia no momento em que ele é destinado ao repar.

Essas dores, quando somadas àquelas originadas pelas incisões cirúrgicas, podem desencadear uma onda de mal estar, o que acaba por atrasar o tempo de recuperação do seu paciente.

Conforme falamos, ainda que a posição em que o paciente deverá ficar diga respeito ao cirurgião, é fundamental que todos da equipe estejam atentos ao paciente, desde o início do procedimento.

Por parte do anestesiologista, é fundamental que a sua atenção se concentre no monitoramento do paciente, que está relacionada à observação do tamanho das pupilas, da cor dos lóbulos da orelha, dos lábios e das unhas e dos sinais vitais do paciente, de forma geral.

Esse monitoramento é fundamental para a segurança do paciente, bem como para a tranquilidade de toda a equipe cirúrgica, deixando todos mais seguros e confortáveis para a execução e acompanhamento dos procedimentos.

Qual posicionamento é o ideal para o paciente?

Quando se trata de um procedimento cirúrgico, seja ele qual for e do porte que for, a posição em que o paciente deve ficar deve ser decidida a partir do campo que o cirurgião precisará acessar no corpo do paciente.

Além disso, podem ser levadas em conta também questões ligadas ao, conforme dissemos, conforto e bem estar do paciente.

Veja a seguir algumas posições cirúrgicas que podem contribuir com uma cirurgia mais eficiente, com um maior potencial de recuperação para o paciente.

Posição Supina

A posição supina é aquela em que o paciente fica deitado de costas para a mesa de cirurgia.

Normalmente é nessa posição que o paciente fica quando a cirurgia prevê incisões na cavidade abdominal, seja para uma cirurgia exploratória, reparadora ou investigativa.

Para um melhor posicionamento do paciente e, certamente, mais anatômico, as pernas e os braços são suavemente afastados do corpo, que deve estar muito bem alinhado.

As pernas não devem estar flexionadas, tampouco devem estar cruzadas.

Nesta posição o anestesiologista tem melhores condições para realizar o monitoramento do paciente e, consequentemente, melhores condições para realizar seu trabalho.

Em cirurgias abdominais que têm como objetivo acessar a porção supramesocólica (região em que se encontra o fígado, o estômago, o baço) a equipe pode adicionar à mesa de cirurgia um coxim inflável ou, ainda, alguns panos de campo devidamente estéreis a fim de proporcionar alguma elevação da região.

Com isso, a intervenção se torna mais fácil para o cirurgião, mas deve ser utilizada de forma muito cautelosa, sobretudo quando se tratar de previsões cirúrgicas mais extensas.

Quando se assume esse tipo de posição, o paciente idoso pode sentir dores na região lombossacral, sobretudo quando a altura em que o paciente fica é mais elevada.

Dessa forma, é essencial que se quantifique a complexidade da cirurgia e do local de acesso ao abdômen e se analise se é realmente viável causar esse tipo de comprometimento do bem estar do paciente.

Caso o paciente também tenha qualquer comprometimento em relação à saúde da sua coluna (tal como hérnia de disco), é fundamental que se analise a viabilidade da posição, sobretudo porque o grau de desconforto em relação à sua coluna pode aumentar, comprometendo assim a sua recuperação cirúrgica.

Saiba mais: Quais os principais pontos a planejar e a observar com mais cautela no momento da manutenção de equipamentos hospitalares?

Posição Prona

A posição prona é especificamente recomendada para pacientes que serão submetidos a procedimentos cirúrgicos na parte posterior do seu corpo, ou seja, na região das costas.

No entanto, apesar da posição ser particularmente recomendada e utilizada em procedimentos que têm como objetivo alcançar esta parte do corpo, todo o processo anterior à cirurgia é feito na posição supina.

Isto quer dizer que a acomodação do paciente, sedação e posterior anestesia são feitas quando o paciente está deitado com as costas em contato com a mesa cirúrgica e só é colocado em posição prona depois da estabilização anestésica e, por fim, autorização do anestesiologista.

Por conta da anestesia, é fundamental que haja a estabilização prévia, sobretudo para conservar o bem estar do paciente, que deve ser mobilizado de forma muito cuidadosa e respeitosa na posição prona.

Essa posição cirúrgica requer um particular cuidado com as funções respiratórias do paciente.

Por conta disso, normalmente são utilizados coxins ou panos cirúrgicos estéreis enrolados que devem ser posicionados logo abaixo das axilas do paciente e também ao lado de seu tórax.

Em mulheres, a utilização desses aparatos também reduzem a pressão do corpo sobre as mamas, o que pode ser bastante doloroso quando não se tem esse tipo de cuidado.

Nessa posição, os braços do paciente também devem receber uma atenção mais cuidadosa. Por conta disso, devem ser colocados em braçadeiras almofadadas e posicionados para fora, com as palmas de suas mãos voltadas para baixo.

A cabeça do paciente deve repousar em um travesseiro firme, voltada para fora, e em uma altura que seja capaz de normalizar toda a coluna vertebral.

Da mesma forma que a cabeça, os pés também devem estar em uma altura capaz de normalizar a coluna, de forma que o peso do corpo não fique localizado nem sobre os dedos dos pés e nem sobre o dorso dos pés.

Posição Lateral

A posição lateral é particularmente recomendada para casos cirúrgicos que estejam relacionados aos rins ou aos pulmões e, ainda, a intervenções ortopédicas nos quadris.

Da mesma forma que a posição prona, todo o processo de acolhimento do paciente, de sedação, anestesia e estabilização deve ser realizado na posição supina e o posicionamento do seu corpo deve ser realizado somente após a autorização do anestesiologista.

Para que o paciente fique confortável nessa posição, alguns cuidados são muito essenciais, sobretudo porque seu corpo tenderá ao total relaxamento muscular.

Por conta disso, é essencial que sejam utilizados coxins firmes para a sustentação do paciente, bem como fitas de esparadrapo ou mesmo bandagens, se necessário, para a sua estabilização na posição lateral.

Se utilizados esses insumos, é sempre muito importante verificar a largura deles, a fim de que se preserve a integridade da pele do paciente.

Nessa posição é essencial que se flexione a perna inferior do paciente, que estiver em contato com a mesa cirúrgica e se coloque também um travesseiro fino na região entre os dois joelhos dele. 

Esse posicionamento permite ao paciente maior conforto para sua coluna lombar, sobretudo e ainda alivia o contato entre as estruturas ósseas, melhorando também o fluxo sanguíneo nessa região.

Em relação aos braços, é importante mantê-los apoiados sobre uma plataforma acoplada à mesa cirúrgica. Dessa forma, as axilas são abertas e se expõe de forma mais ampla a parte das costas do paciente.

Para que se evite qualquer desconforto, é essencial proteger com faixas essa região dos braços.

Posição Sentado

A posição cirúrgica em que o paciente permanece sentado é comumente utilizada em cirurgias neurológicas, bem como em cirurgias reparadoras das mamas e do abdômen.

Embora possa parecer que é uma posição bastante desconfortável, o apoio da equipe médica pode ser decisivo para que o paciente que passar por uma intervenção cirúrgica nesta posição possa ter um pós-operatório de qualidade, sem desconfortos relacionados à má postura durante a cirurgia.

Para que seja adotada a posição de Fowler em um procedimento cirúrgico, a preparação anestésica e estabilização já ocorrem com ele devidamente posicionado.

Deve-se ter uma atenção especial e um cuidado redobrado com a regulagem da maca, sobretudo porque alguns ângulos que o corpo irá adotar podem ser mais ergonômicos para o paciente.

Para que isso ocorra, é fundamental que o paciente seja posicionado sobre cada uma das dobras da mesa, em pontos do seu corpo que também são fundamentais para uma boa resposta biodinâmica.

Por conta disso, deve-se fazer com que sejam adotados os seguintes cuidados:

  • A escápula do paciente deve estar em contato com o final da mesa cirúrgica e a sua cabeça deve ficar livre;
  • Já a cabeça do paciente deve repousar em um suporte específico, posicionado em sua testa e de forma que a curvatura natural da cervical seja preservada;
  • As costas devem formar um ângulo de 90 graus em relação às coxas, mas a maca deve ser reduzida nessa região, de forma que as pernas fiquem um pouco mais elevadas;
  • Os joelhos, por sua vez, devem ficar na altura dos cotovelos, que podem estar apoiados nas coxas do paciente;
  • E, por fim, os pés devem ter um apoio que não permita que pendam.

Posição cirúrgica reduz riscos!

Os cuidados relacionados às posições cirúrgicas reduzem complicações e riscos relacionados aos procedimentos cirúrgicos que um paciente possa vir a enfrentar. 

Isso se dá, sobretudo, porque essas posições cirúrgicas foram desenvolvidas e aprimoradas ao longo do tempo para que a biodinâmica e a ergonomia do paciente sejam respeitadas nos momentos em que seu corpo está anestesiado.

Essas posições cirúrgicas fazem com que o sistema vascular funcione de forma mais efetiva, reduzindo também casos de trombose, edemas e outras complicações relacionadas à má vascularização.

Por fim, quando adotadas de forma correta, as posições cirúrgicas favorecem uma melhor evolução na recuperação do paciente, justamente porque, com elas, reduzimos dores relacionadas à má postura ou agravamento de lesões já existentes.

Assim, é essencial que a equipe cirúrgica sempre esteja preparada para que posições cirúrgicas específicas para cada tipo de intervenção sejam adotadas e, ainda, munidas de coxins ou panos cirúrgicos estéreis para que o paciente sempre fique bem acomodado.

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Conclusão

As posições cirúrgicas se desenvolveram e se aprimoraram através da história da medicina e, sobretudo, através da melhoria dos procedimentos cirúrgicos através do tempo.

Para uma equipe médica é essencial que elas sejam reconhecidas e, ainda, possam ser aplicadas sempre que necessário, pois é através de um bom posicionamento do corpo do paciente, durante um procedimento cirúrgico, que a sua recuperação também começa.

Quando uma cirurgia ocorre em uma posição inadequada para o paciente, a sua recuperação também tende a ser mais difícil e vagarosa, sobretudo por conta das questões musculares que estão envolvidas.

Portanto, no momento de planejar uma cirurgia, planeje também com a sua equipe a posição cirúrgica que será adotada. Dessa forma, é possível também preparar a sala, instrumentos e equipamentos fundamentais para que se promova o conforto do paciente durante todo o tempo de procedimento.

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